Sindicalismo e democracia

Comecei no sindicalismo no início dos anos 80, durante a ditadura. As primeiras assembleias tinham de ser clandestinas, pois tentávamos organizar uma categoria armada, num setor patronal influenciado pelo militarismo.

Com a lei 7.102/83, a vigilância privada passou a ter parâmetros definidos, e isso deu também mais base para o início da organização sindical. Mas não foi fácil, até porque, na época, primeiro se organizava a Associação, que precisava de autorização do Ministério do Trabalho para se transformar em Sindicato.

Mesmo assim, os primeiros Sindicatos de Vigilantes foram formados. Depois, viriam nossa Federação, nosso Sindicato (SindForte), em 1992, e nossa Confederação. No final dos anos 80 e início dos 90, vivemos a era das grandes greves. O patronato precisou ser enfrentado até compreender que a organização sindical era pra valer.

De lá para cá, a situação avançou. Já em 1994, fizemos greve estadual no transporte de valores e conquistamos 30% de Adicional de Risco de Vida. Em 2000, o SindForte incorporou o setor de escolta armada. Fomos à luta pelo Adicional. Em 2004, conseguimos 15% do benefício para os companheiros da escolta. Em 2013, atingimos a meta: fechamos acordo garantindo 30% de Adicional também aos trabalhadores da escolta armada.

Essas conquistas, aliadas às lutas conduzidas por nossa Confederação, estimularam a mobilização nacional pelo Adicional de 30% para todos. Foram anos de luta, até que, em dezembro de 2012, a presidente Dilma sancionou a Lei 12.740, que instituiu o Adicional de Periculosidade para todos os trabalhadores da segurança privada.

A lei depende de regulamentação. O SindForte não esperou. Com greve e pressão, conseguimos Adicional para todos. E mais: dia 23 de abril de 2013, firmamos acordo coletivo no transporte de valores, assegurando esses 30% nas férias, 13º, descanso semanal remunerado e sobre todas as verbas trabalhistas. Na mesma data, o acordo ampliou de 18 para 30% o Adicional dos vigilantes de base. Vamos, agora, tentar o benefício para a escolta.

Ao contemplar esse período, verifico que muita coisa foi feita. Constato que a democracia está consolidada e vejo que o patronato assimilou a ideia de categoria organizada em Sindicatos. Há conflitos, sim. Mas o diálogo passou a ser uma prática comum entre as partes.

A diretoria do nosso Sindicato se orgulha de ter conduzido, com sucesso, as lutas e negociações. Hoje, o vigilante é um profissional qualificado e respeitado. Nossa próxima meta é o Estatuto da Vigilância privada, que já tramita no Congresso Nacional.


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